Nunca gostei de ler. Minha mãe ficava aflita, querendo que
eu pelo menos gostasse de qualquer livro que ela comprasse pra mim. Claro, eu
tentava! Adorava aqueles com muitas
figuras, letras grandes e frases curtas. Curtia gibis. Gostava muito (e tenho
até hoje) daqueles que vinham com sons embutidos, com fantoches e, o que eu
mais amava, um livro sobre um ratinho que vivia em uma pequena casa e adorava
criar suas roupas. O livro vinha acompanhado de um ratinho de pelúcia e muitos
tecidos para costurar. Acho que muito da minha paixão por artesanato veio desse
ratinho. Eu e minha mãe costurávamos diversas roupas pra ele, era um bom tempo
que passávamos juntas. Mas, ler...eu não
lia.
Quando ganhava livros de aniversário então, humpf.
E, posso
confessar?! Não li nem o Harry Potter que minha mãe comprou pra mim quando era
febre na escola (me julgam até hoje por não ter lido, mas ok!).
Escola...porque obrigar a ler livros tão chatos?? Poxa, eu
li alguns pra fazer vestibular...e, sinceramente, qual a intenção de ler um
livro sem saber LER o livro?! Por que aquela gramática de 25 a.C.??? Até hoje
eu não sei se Capitu traiu Bentinho...e eu sei que nunca vou saber!
Bom, mas a questão é que...eu queria gostar!
Eu sempre admirava meus colegas leitores. Sempre achei o ato
de ler muito bonito. Mas, não entendia como eles ficavam tão presos àquelas
histórias. Sofriam, riam, comemoravam, se amedrontavam...
Eu preferia os filmes...
Cheguei a ler uns livros sim, mas demorava meses para concluir
a leitura. Não me identificava com as histórias e nunca me senti envolvida por
elas.
Achei que era um universo do qual nunca faria parte..até que
um dia, tudo começou a mudar. E é agora que a história começa (opa, fiz vcs
lerem demais né?! Rs).
Estava determinada a encontrar um livro que mudasse pra
sempre esse meu “medo” de leitura. Fui até a livraria mais próxima e prometi a
mim mesma que não sairia de lá sem um livro em mãos. Fiquei vasculhando cada
cantinho. Como já tinha lido e gostado dos de ensinamentos budistas, fui
primeiro na prateleira onde eles ficavam, mas, não era bem aquilo que eu queria
no momento. Queria encontrar uma história na qual eu pudesse me identificar. Uma
história cuja personagem fosse um pouco de mim...
Até que avistei aquela capa cor-de-rosa. O nome do livro?!
Fazendo meu Filme.
Adorei a capa e o título era bem “a minha cara”. Eu estava
me formando em Rádio e Tv, e meu sonho era produzir um filme! Achei que as coincidências acabariam por ai.
Eu estava enganada. Fui ler a descrição da autora, embora já tivesse certeza de
que era aquele que eu levaria para casa, e foi a coisa mais maluca que já tinha
acontecido até então. A autora era exatamente quem eu procurei a minha vida
toda. Alguém que soubesse quem eu sou. Alguém que era como eu sou. Eu não
consigo descrever muito bem aqui, mas, eu sabia que ela me entenderia. Fui pra
casa super ansiosa para começar a leitura.
Assim que abri o livro, percebi que na primeira página alguns dos meus
filmes prediletos estavam descritos ali... liguei pra minha mãe!
“Mãe, acabei de realizar um sonho seu e meu ao mesmo tempo!
Achei o livro que precisava achar!”
Eu comecei a ler e fui me identificando cada vez mais. A
personagem principal era a adolescente que fui. Viciada em filmes (de
amorzinho), amante de ficar em casa e de nome “diferente”. Além de ser super
tímida e meio desligada aos sinais de interesse masculino.
Resultado?! Amei!
Entendi o envolvimento que uma boa história traz. Entendi como entramos na história e nos
sentimos participando de tudo aquilo. Entendi que podemos chorar, rir e torcer
para os personagens...
Comecei a procurar um pouco mais sobre a autora e queria
muito conhece-la.
Acabei descobrindo que ela iria fazer um intercâmbio com
algumas leitoras para o Canadá. E, surtei! Entrei em contato com a empresa e
eles me passaram todos os detalhes da viagem. Confesso que nem sabia de nada
sobre o país e sobre o roteiro, mas...era com minha escritora favorita! Eu
precisava ir!
Fiz todo o processo
para conseguir viajar, e tudo bem depressa. Descobri sobre o intercâmbio em
Abril para o embarque em Junho e ainda precisava de passaporte, visto e fazer
todos os pagamentos, compras dólares e etc...
Resultado:
Passaporte – ok
Dim dim – ok
Passagem de avião – ok
Malas – ok
Visto – NEGADO!
Duas semanas antes do embarque, recebi a carta do
Consulado...meu visto foi negado!
Aqueles 32 formulários preenchidos em inglês, foram em vão.
Fiquei bem triste, mas, chorar não ia resolver. Tinha que
achar outra maneira de ir conhecê-la. Nem que eu fosse ao dia do embarque só
pra poder dizer um: “Oi! Amo seus livros! Boa viajem!”
Enquanto estava na lan house resolvendo a devolução dos dim
dins investidos, acabei lendo uma postagem dela.
“Amanhã estarei em São Paulo para o Lançamento do ‘Livro das
Princesas.’ Espero vocês lá!”
Como assim?!! Saí da lan house correndo e fui comprar papel
de carta e alguns adesivos das princesas Disney. Escrevi uma carta gigaaaante
(tá ligado que eu gosto de escrever né?! Rs), e no dia seguinte, acordei as 5
da manhã... #partiuSP.
Cheguei em SP a tarde, e fui para o local de trabalho do meu
namorado, como havíamos combinado. Nós só não contávamos que ele teria um trabalho
de última hora e só conseguimos sair do estúdio a noite. Saímos voando sentido shopping para o
lançamento e, depois de muito trânsito, conseguimos chegar.
Quando pisei na livraria, descobri que o sistema de
autógrafos funciona com senha e todas já tinham sido distribuídas. Vendo meu
estado de decepção, meu namorado me diz na maior calma:
“Amor, não fica assim, quando ela vier de novo você vem
vê-la. Tenho um compromisso em Santos daqui 40 minutos, precisamos ir...”
E eu, dentro de toda minha delicadeza digo: “Eu preciso pelo
menos entregar essa carta pra ela amor. Vou ficar na porta até alguém pegá-la.
Por favor... me espera?”
E ele: “Você tem 10 minutos!”.
Fiquei na porta até alguém me ver. Tentei entrar como
imprensa, sem sucesso. Pedi “PELO AMOR DE DEUS”, pro segurança, ele fingiu que
não me viu. Até que uma moça me viu gesticulando loucamente. Chegou perto de
mim e me perguntou o que eu queria.
“Moça, por favor, posso entregar essa carta pra Paula?! Vim
de longe só pra vê-la. Não sabia das senhas.”
Ela voltou ao local e origem...
E meu namorado a essa altura, só me fitando e apontando pro
relógio.
Não perdi as esperanças.
A moça voltou e pediu pra eu entrar e ser rápida.
Fiquei ali, no cantinho da sala, só esperando o momento de
finalmente dizer: “Oi!”.
Assim que me viu, ela se levantou e veio em minha direção.
Eu tremi...segurando pra não chorar. Até que eu a ouvi...
- Ida!!!
Não dei conta. Chorei.
Não sabia o que dizer. Não sabia o que fazer. Ela
simplesmente foi....super fofa! Muito simpática, amorosa e solidária, ao dizer que ficou
triste por saber que eu não ia viajar..e foi tudo e muito mais que eu esperava
que ela fosse.
Saí de lá com meu livro autografado, lágrimas nos olhos e
com uma felicidade imensa por saber que ela não é só uma autora incrível, ela é
uma pessoa maravilhosa. Recebe todos os leitores com o maior carinho do mundo e
merece todo o amor que todas/os nós, “pimentinhas”, temos por ela! Desejo que ela
tenha cada vez mais sucesso, e que toda essa energia boa que ela emana, nos
contagie a cada dia!
Já compareci a outros dois lançamentos (devidamente
“ensenhada”! Rs) e ela já veio para um evento literário em minha cidade. Ainda
assim, eu nunca sei o que dizer quando chega a minha vez...
Acho que são tantas coisas, que só virando BFF pra dar
tempo! RS.
Bom, pra encerrar, indico a vocês todos os livros dessa
excelente autora (e pessoa)! Paula
Pimenta, a verdadeira princesa dos contos de fada. <3