sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Minha Escritora Favorita

Nunca gostei de ler. Minha mãe ficava aflita, querendo que eu pelo menos gostasse de qualquer livro que ela comprasse pra mim. Claro, eu tentava!  Adorava aqueles com muitas figuras, letras grandes e frases curtas. Curtia gibis. Gostava muito (e tenho até hoje) daqueles que vinham com sons embutidos, com fantoches e, o que eu mais amava, um livro sobre um ratinho que vivia em uma pequena casa e adorava criar suas roupas. O livro vinha acompanhado de um ratinho de pelúcia e muitos tecidos para costurar. Acho que muito da minha paixão por artesanato veio desse ratinho. Eu e minha mãe costurávamos diversas roupas pra ele, era um bom tempo que passávamos juntas.  Mas, ler...eu não lia.

Quando ganhava livros de aniversário então, humpf. 
E, posso confessar?! Não li nem o Harry Potter que minha mãe comprou pra mim quando era febre na escola (me julgam até hoje por não ter lido, mas ok!).
Escola...porque obrigar a ler livros tão chatos?? Poxa, eu li alguns pra fazer vestibular...e, sinceramente, qual a intenção de ler um livro sem saber LER o livro?! Por que aquela gramática de 25 a.C.??? Até hoje eu não sei se Capitu traiu Bentinho...e eu sei que nunca vou saber!
Bom, mas a questão é que...eu queria gostar!
Eu sempre admirava meus colegas leitores. Sempre achei o ato de ler muito bonito. Mas, não entendia como eles ficavam tão presos àquelas histórias. Sofriam, riam, comemoravam, se amedrontavam...
Eu preferia os filmes...
Cheguei a ler uns livros sim, mas demorava meses para concluir a leitura. Não me identificava com as histórias e nunca me senti envolvida por elas.
Achei que era um universo do qual nunca faria parte..até que um dia, tudo começou a mudar. E é agora que a história começa (opa, fiz vcs lerem demais né?! Rs).

Estava determinada a encontrar um livro que mudasse pra sempre esse meu “medo” de leitura. Fui até a livraria mais próxima e prometi a mim mesma que não sairia de lá sem um livro em mãos. Fiquei vasculhando cada cantinho. Como já tinha lido e gostado dos de ensinamentos budistas, fui primeiro na prateleira onde eles ficavam, mas, não era bem aquilo que eu queria no momento. Queria encontrar uma história na qual eu pudesse me identificar. Uma história cuja personagem fosse um pouco de mim...
Até que avistei aquela capa cor-de-rosa. O nome do livro?! Fazendo meu Filme.
Adorei a capa e o título era bem “a minha cara”. Eu estava me formando em Rádio e Tv, e meu sonho era produzir um filme!  Achei que as coincidências acabariam por ai. Eu estava enganada. Fui ler a descrição da autora, embora já tivesse certeza de que era aquele que eu levaria para casa, e foi a coisa mais maluca que já tinha acontecido até então. A autora era exatamente quem eu procurei a minha vida toda. Alguém que soubesse quem eu sou. Alguém que era como eu sou. Eu não consigo descrever muito bem aqui, mas, eu sabia que ela me entenderia. Fui pra casa super ansiosa para começar a leitura.  Assim que abri o livro, percebi que na primeira página alguns dos meus filmes prediletos estavam descritos ali... liguei pra minha mãe!
“Mãe, acabei de realizar um sonho seu e meu ao mesmo tempo! Achei o livro que precisava achar!”
Eu comecei a ler e fui me identificando cada vez mais. A personagem principal era a adolescente que fui. Viciada em filmes (de amorzinho), amante de ficar em casa e de nome “diferente”. Além de ser super tímida e meio desligada aos sinais de interesse masculino.
Resultado?! Amei!
Entendi o envolvimento que uma boa história traz.  Entendi como entramos na história e nos sentimos participando de tudo aquilo. Entendi que podemos chorar, rir e torcer para os personagens...
Comecei a procurar um pouco mais sobre a autora e queria muito conhece-la.
Acabei descobrindo que ela iria fazer um intercâmbio com algumas leitoras para o Canadá. E, surtei! Entrei em contato com a empresa e eles me passaram todos os detalhes da viagem. Confesso que nem sabia de nada sobre o país e sobre o roteiro, mas...era com minha escritora favorita! Eu precisava ir!
 Fiz todo o processo para conseguir viajar, e tudo bem depressa. Descobri sobre o intercâmbio em Abril para o embarque em Junho e ainda precisava de passaporte, visto e fazer todos os pagamentos, compras dólares e etc...
Resultado:
Passaporte – ok
Dim dim – ok
Passagem de avião – ok
Malas – ok
Visto – NEGADO!
Duas semanas antes do embarque, recebi a carta do Consulado...meu visto foi negado!
Aqueles 32 formulários preenchidos em inglês, foram em vão.
Fiquei bem triste, mas, chorar não ia resolver. Tinha que achar outra maneira de ir conhecê-la. Nem que eu fosse ao dia do embarque só pra poder dizer um: “Oi! Amo seus livros! Boa viajem!”
Enquanto estava na lan house resolvendo a devolução dos dim dins investidos, acabei lendo uma postagem dela.
“Amanhã estarei em São Paulo para o Lançamento do ‘Livro das Princesas.’ Espero vocês lá!”
Como assim?!! Saí da lan house correndo e fui comprar papel de carta e alguns adesivos das princesas Disney. Escrevi uma carta gigaaaante (tá ligado que eu gosto de escrever né?! Rs), e no dia seguinte, acordei as 5 da manhã... #partiuSP.
Cheguei em SP a tarde, e fui para o local de trabalho do meu namorado, como havíamos combinado. Nós só não contávamos que ele teria um trabalho de última hora e só conseguimos sair do estúdio a noite.  Saímos voando sentido shopping para o lançamento e, depois de muito trânsito, conseguimos chegar.

Quando pisei na livraria, descobri que o sistema de autógrafos funciona com senha e todas já tinham sido distribuídas. Vendo meu estado de decepção, meu namorado me diz na maior calma:
“Amor, não fica assim, quando ela vier de novo você vem vê-la. Tenho um compromisso em Santos daqui 40 minutos, precisamos ir...”
E eu, dentro de toda minha delicadeza digo: “Eu preciso pelo menos entregar essa carta pra ela amor. Vou ficar na porta até alguém pegá-la. Por favor... me espera?”
E ele: “Você tem 10 minutos!”.
Fiquei na porta até alguém me ver. Tentei entrar como imprensa, sem sucesso. Pedi “PELO AMOR DE DEUS”, pro segurança, ele fingiu que não me viu. Até que uma moça me viu gesticulando loucamente. Chegou perto de mim e me perguntou o que eu queria.
“Moça, por favor, posso entregar essa carta pra Paula?! Vim de longe só pra vê-la. Não sabia das senhas.”
Ela voltou ao local e origem...
E meu namorado a essa altura, só me fitando e apontando pro relógio.
Não perdi as esperanças.
A moça voltou e pediu pra eu entrar e ser rápida.

Fiquei ali, no cantinho da sala, só esperando o momento de finalmente dizer: “Oi!”.
Assim que me viu, ela se levantou e veio em minha direção. Eu tremi...segurando pra não chorar. Até que eu a ouvi...
- Ida!!!
Não dei conta. Chorei.
Não sabia o que dizer. Não sabia o que fazer. Ela simplesmente foi....super fofa! Muito simpática, amorosa e solidária, ao dizer que ficou triste por saber que eu não ia viajar..e foi tudo e muito mais que eu esperava que ela fosse.
Saí de lá com meu livro autografado, lágrimas nos olhos e com uma felicidade imensa por saber que ela não é só uma autora incrível, ela é uma pessoa maravilhosa. Recebe todos os leitores com o maior carinho do mundo e merece todo o amor que todas/os nós, “pimentinhas”, temos por ela! Desejo que ela tenha cada vez mais sucesso, e que toda essa energia boa que ela emana, nos contagie a cada dia!
Já compareci a outros dois lançamentos (devidamente “ensenhada”! Rs) e ela já veio para um evento literário em minha cidade. Ainda assim, eu nunca sei o que dizer quando chega a minha vez...
Acho que são tantas coisas, que só virando BFF pra dar tempo!  RS.

Bom, pra encerrar, indico a vocês todos os livros dessa excelente autora (e pessoa)!  Paula Pimenta, a verdadeira princesa dos contos de fada. <3

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Bienal do Livro de São Paulo

Vou contar pra vocês um pouco da minha experiência na Bienal do Livro de São Paulo deste ano.
Bom, nunca tinha comparecido ao evento antes, e estava morrendo de curiosidade para saber como era e louca para fazer umas comprinhas.
Pesquisei no site do evento alguns detalhes como: compra de ingresso, programação, mapeamento do espaço, localização dos stands principais, etc..
Comecei a seguir a página do evento no Facebook e no Instagram, para saber também sobre as novidades e, principalmente, o que o público estava achando. Confesso que me assustei um pouco. A maioria das críticas que li foram negativas e fiquei bem apreensiva. Li coisas do tipo: "Fila pra entrar na Bienal: 40 minutos. Fila para entrar no stand, fila pra pagar pelos livros, fila para sair do stand. Fila pro banheiro:30 minutos. Fila para comer e alimentação muito cara! Filas enormes e bem demoradas para pegar autógrafo com os principais escritores", "Levem malas de rodinha para carregar os livros e vá com roupas confortáveis e fresquinhas, o calor é intenso!", "Não tenham a ilusão de que lá é tudo mais barato, tem livros até mais caros lá do que nas lojas!", "Levem dinheiro, os cartões demoram muito tempo para passar e, muitas vezes não passam e você se decepciona por não poder adquiri-lo.".
Como podem ver, eu tinha razão de ficar com medinho né?!
Mas, sinceramente, não sei se foi sorte..mas não passei por nada disso.
Claro que tinham filas, mas não passei nem 15 minutos nelas. Meus cartões passaram normalmente e não senti desconforto com calor. Levei água e barrinha de cereais, entrar com alimentos e bebidas era permitido, só fez compra lá dentro quem quis.Eu acho que a questão principal é: se organizar. Chegar cedo. Fazer pesquisas de preços dos livros que quer adquirir para poder comparar as vantagens e desvantagens. Ir com roupa confortável e, principalmente, ter paciência.
Compareci no último final de semana, estava muito cheio, mas..como cheguei bem cedo, pude aproveitar para passar em todos os stands com calma, pesquisar os livros que queria e ainda me beneficiar de uns descontos. Sim, alguns stands estavam com preço normal de loja, mas é como disse: pesquise antes!
Mas, como todas as coisas na vida, encontrei falhas sim. Pessoas que estavam monitorando o evento, muitas vezes não sabiam explicar detalhes de programação, onde ocorreriam tais encontros com autores e etc. Acabei perdendo algumas palestras que gostaria de ter assistido por falta de informação. E era uma correria para saber onde seriam os locais de apresentações musicais, teatros e bate-papos. Muitos deles descobri no chutômetro, ou seguindo o fluxo. Peguei senha (com bastante antecedência) para participar de uma sessão de autógrafos, mas descobri sozinha onde seria a distribuição. Pessoas da própria editora estavam confusas para dar detalhes, e a cada momento diziam uma coisa.
No final de tudo, não comprei os livros da minha WishList, mas voltei com livros bem legais e brindes exclusivos.
 De uma maneira geral, gostei do evento. Foi ótimo rever minha escritora favorita e conhecer um evento desse porte. Quanto aos probleminhas, na próxima já vou saber como lidar com eles.
;)

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Com prazo de validade.

Parece que hoje em dia, tudo já vem com seu prazo de validade.
Acabamos de adquirir e, para nossa surpresa, vence amanhã...ou já venceu a tempos, só estamos protelando, deixando na gaveta, para finalmente jogar fora um dia.
-Meu Deus, e eu nem sequer "utilizei!"

Não é que eu esteja sendo muito exigente, mas, poxa..amizades também?
Amores?
Momentos?
Lugares?
Lembranças?

Aquele "Eu te amo para sempre", "amizade eterna", "nunca vou me esquecer de você", que encontramos nas cartas, nas camisetas de colégio, nos e-mails, nos depoimentos do (também já vencido) Orkut, está com o lote de fabricação tão próximo. Porque ele já vem com a inscrição: Válido por 6 meses?? Deveria ser: Produto não perecível.

Eu ainda acredito nos "produtos não perecíveis".
Ainda quero ter esperanças de encontrar meus objetos guardados e me surpreender com a data de vencimento.
- Fabricado em 1997 e ainda "funciona!"

Bom, com tantos prazos de vencimento que já encontrei nos últimos tempos, vou apelar para:
"Consumir antes de (--/--/----)"

E o pior, é que nunca vamos descobrir essa data...até, que tenhamos que jogar fora, depois de várias tentativas de fazer com que o "produto" dure mais um pouquinho.